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SDR terceirizado vs. time interno: a conta real de CAC, ramp-up e turnover

Comparativo completo com números reais: quanto custa um SDR CLT no Brasil, quanto custa terceirizar, e como decidir com base em CAC, rampa e retenção.

Foto de Heitor Ono

Por Heitor Ono

CFO - Zaz Vendas

  • 7 min de leitura

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Um SDR interno custa entre R$ 8 mil e R$ 12 mil por mês quando se soma salário, encargos, ferramentas, gestão e o custo de turnover — quase o dobro do salário nominal de R$ 2.500 a R$ 4.500 que aparece na proposta de contratação. Um SDR terceirizado custa entre R$ 6 mil e R$ 10 mil mensais com tudo incluso e rampa mais curta. A escolha certa, porém, não se resolve só no preço: depende de volume, complexidade do discurso e de quanto tempo você tem.

Este artigo abre a conta completa dos dois modelos, linha por linha, para você decidir com número na mesa em vez de opinião de LinkedIn.

O custo real de um SDR interno (a planilha que o RH não mostra)

Salário de SDR no Brasil em 2026 roda entre R$ 2.500 e R$ 4.500 fixos, mais variável de R$ 800 a R$ 2.000 atrelado a reuniões agendadas ou SQLs. Parece barato. O problema é tudo que orbita esse salário:

Linha de custo Valor mensal Observação
Salário fixo R$ 3.500 (mediana) Capitais do Sudeste; interior um pouco abaixo
Variável (média realista) R$ 1.200 Atingimento médio de 70 a 80% da meta
Encargos CLT (~75%) R$ 2.600 INSS patronal, FGTS, 13º, férias, provisões
Ferramentas R$ 700 a R$ 1.200 CRM, telefonia/discador, LinkedIn Sales Navigator (~R$ 400), enriquecimento de dados
Gestão (rateio) R$ 1.000 a R$ 2.500 Um coordenador de pré-vendas gerencia 6 a 8 SDRs; abaixo disso, quem gerencia é você
Recrutamento e reposição R$ 400 a R$ 800 Ver seção de turnover abaixo
Custo total mensal R$ 9.400 a R$ 11.800 2,7x a 3,4x o salário nominal

E esse é o custo do SDR produtivo. Falta a variável mais subestimada da conta.

Ramp-up: os 3 meses em que o SDR custa e não produz

Um SDR contratado hoje não agenda reunião boa amanhã. A curva típica no B2B brasileiro:

  • Mês 1: onboarding, produto, ICP, ferramenta. Produtividade: 10 a 20% da meta.
  • Mês 2: primeiras cadências rodando, discurso ainda cru. Produtividade: 40 a 50%.
  • Mês 3: ganho de ritmo. Produtividade: 70 a 80%.
  • Mês 4 em diante: produtividade plena, se o playbook existir. Se não existir, o SDR inventa o processo enquanto executa, e a rampa estica para 5 a 6 meses.

Cada contratação de SDR embute R$ 18 mil a R$ 25 mil de custo de rampa: salário integral pago contra produção parcial. Numa operação terceirizada madura, essa rampa cai para 30 a 45 dias, porque playbook, cadência, gestão e ferramenta já existem. O que se ajusta é o discurso do seu produto, não o processo inteiro.

Turnover: o imposto invisível da pré-venda

SDR é, por desenho, um cargo de passagem. O bom SDR quer virar closer em 12 a 18 meses; o SDR mediano desiste antes disso. O turnover anual da posição no Brasil roda entre 30% e 40% — em operações mal geridas, passa disso com folga.

Cada saída custa:

  • Reposição: 30 a 60 dias de vaga aberta com pipeline parado, mais processo seletivo
  • Nova rampa: os mesmos R$ 18 a 25 mil de novo
  • Conhecimento perdido: as nuances de discurso e objeção que não estavam documentadas saem pela porta com a pessoa

Num time de 4 SDRs com turnover de 35%, você refaz 1,4 contratações por ano só para ficar no mesmo lugar. No modelo terceirizado, esse risco é do parceiro: reposição, rampa do substituto e continuidade do playbook são problema dele, com SLA em contrato.

O comparativo completo

Critério SDR interno SDR terceirizado
Custo mensal real (por posição) R$ 9.400 a 11.800 R$ 6.000 a 10.000 (tudo incluso)
Rampa até produtividade plena 3 a 4 meses (com playbook) ou 6 meses (sem) 30 a 45 dias
Risco de turnover Seu Do parceiro (SLA de reposição)
Gestão Sua (coordenador ou seu tempo) Do parceiro (incluída)
Playbook e metodologia Você constrói do zero Chega pronto e é adaptado
Conhecimento profundo do produto Maior no longo prazo Exige bom onboarding e rotina de feedback
Cultura e proximidade com closers Total Depende da integração (rotina semanal resolve)
Flexibilidade para escalar/reduzir Baixa (contratar/demitir custa) Alta (ajuste de squad em 30 a 60 dias)
Melhor quando... Volume alto e estável, produto muito técnico, SDR como celeiro de closers Velocidade importa, volume oscila, gestão de pré-venda não é sua praia

Onde cada modelo ganha

O interno ganha quando a pré-venda é estratégica para a cultura da empresa: times que usam o cargo de SDR como formação de futuros closers, produtos de alta complexidade técnica em que 6 meses de imersão fazem diferença real no discurso, operações grandes o suficiente (8+ SDRs) para diluir gestão e ferramenta.

O terceirizado ganha quando o tempo vale mais que a curva de aprendizado. Empresa que precisa de pipeline em 60 dias e não em 8 meses. Teste de novo mercado. Operações de 1 a 5 SDRs, onde o rateio de gestão e ferramenta pesa demais. Times em que o fundador ou diretor comercial está fazendo o papel de coordenador de pré-vendas porque não tem alternativa.

Existe ainda o modelo híbrido, que na minha experiência é subutilizado: pré-venda terceirizada gerando volume mais 1 ou 2 SDRs internos nas contas estratégicas (ABM). Você compra velocidade sem abrir mão de formar gente.

As 3 perguntas que decidem

  1. Quanto custa para você cada mês sem pipeline novo? Se a resposta passa de R$ 30 mil em receita adiada, a rampa curta do terceirizado paga o projeto sozinha.
  2. Você tem quem gerencie pré-venda de verdade? Cadência diária, escuta de ligação, ajuste de discurso, 1:1 semanal. Se a resposta é "eu mesmo, quando sobra tempo", o modelo interno vai render 50% do potencial.
  3. Seu volume justifica estrutura própria? Abaixo de 6 SDRs, a matemática do rateio quase sempre favorece a terceirização. Acima disso, a discussão fica genuinamente equilibrada.

Perguntas frequentes

Quanto custa um SDR terceirizado no Brasil? Entre R$ 6 mil e R$ 10 mil mensais por posição dedicada, com gestão, ferramentas e metodologia incluídas. Squads completos (SDRs + coordenação) partem de R$ 12 mil a R$ 15 mil mensais, variando por senioridade e complexidade do ICP.

SDR terceirizado consegue vender um produto complexo? Sim, ele consegue qualificar, que é a sua função. O erro é esperar que o SDR (interno ou terceirizado) domine o produto como um engenheiro de soluções. O papel dele é identificar dor, fit e momento de compra, e passar a conversa técnica para quem fecha. Os produtos complexos exigem um onboarding mais longo e uma rotina de feedback com os closers nos dois modelos.

A reunião agendada por terceirizado tem qualidade inferior? Depende muito do incentivo do contrato. Se o parceiro é remunerado por reunião agendada, pode esperar um volume com qualidade, mas vai oscilar. Se é remunerado por SQL aceito pelo seu time, com critérios de qualificação acordados, o incentivo se alinha. Aí é melhor negociar o segundo formato.

Posso começar terceirizado e internalizar depois? Sim, e é um caminho comum. A operação terceirizada valida canal, discurso e métricas; com a máquina rodando e as taxas conhecidas, a internalização pode virar decisão com numeros validados, não aposta.


A ZAZ Vendas opera squads de pré-venda e vendas completas para empresas B2B há 14 anos — mais de R$ 2,5 bilhões em negócios gerados, ~250 profissionais em operação. Quer abrir essa conta para a sua realidade? Agende um diagnóstico comercial gratuito: comparamos o custo real da sua estrutura atual com o modelo terceirizado, com os seus números, e devolvemos a recomendação mesmo quando ela for "mantenha interno".

Sobre o autor

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Heitor Ono

CFO - Zaz Vendas

Formado em Economia pela Universidade Estadual de Campinas, com passagem por Harvard Business School, construiu carreira em finanças e M&A na Master Minds Capital e cofundou a fintech Capital Empreendedor, dedicada a resolver problemas de financiamento de pequenas e médias empresas.

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